SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM: TEXTO “AVESTRUZ”
(MARIO PRATA)
Ano: 6º. Ano do Ensino Fundamental.
Tempo previsto: 8 aulas.
Conteúdos: revisão dos elementos da
narrativa (com ênfase no foco narrativo); leitura do texto “Avestruz”, de Mario
Prata; roteiro de perguntas (ativação de conhecimento de mundo, levantamento de
hipóteses e pesquisas), conceito de crônica, apreciação e inferências do filme
“UP” e produção escrita.
Competências e habilidades: conhecer o gênero “crônica
narrativa”, identificar os elementos narrativos (ênfase no foco narrativo);
interpretar uma crônica e reconhecê-la.
Estratégias: Retomada dos elementos da
narrativa; leitura e interpretação do texto “Avestruz” com discussão com os
alunos despertando seus conhecimentos prévios; pesquisa sobre o animal,
palavras desconhecidas, dados do autor; apresentação do gênero crônica;
apreciação do filme UP, da música Dé DiPaula e Zé Henrique ( Avestruz) e
pequeno vídeo Avestruzcantor Youtube; discussão e retomada de informações para
produção textual.
Recursos: Livro didático para retomada
breve dos elementos da narrativa; cópia do texto Avestruz e das questões de
ativação do conhecimento de mundo; uso da sala de informática para pesquisa;
uso de datashow para reprodução dos
slides com o conteúdo das aulas e resultado da pesquisa dos alunos; sala de
vídeo, rádio ou notebook.
Avaliação: Produção escrita de uma
crônica.
Texto
Disponivel em: wwwrevistaquem.globo.com
Avestruz de Mario Prata
O filho
de uma grande amiga pediu, de presente pelos seus 10 anos, um avestruz. Cismou,
fazer o quê? Moram em um apartamento em Higienópolis, São Paulo. E ela me
mandou um e-mail dizendo que a culpa era minha. Sim, porque foi aqui ao lado de
casa, em Floripa, que o menino conheceu os avestruzes. Tem uma plantação, digo,
criação deles. Aquilo impressionou o garoto.
Culpado, fui até o local saber se eles vendiam filhotes de avestruz. E se entregavam em domicílio.
E fiquei a observar a ave. Se é que podemos chamar aquilo de ave. O avestruz foi um erro da natureza, minha amiga. Na hora de criar o avestruz, Deus devia estar muito cansado e cometeu alguns erros. Deve ter criado primeiro o corpo, que se assemelha, em tamanho, a um boi. Sabe quanto pesa um avestruz? Entre 100 e 160 quilos, fui logo avisando a minha amiga. E a altura pode chegar a quase 3 metros - 2,70 para ser mais exato.
Mas eu estava falando da sua criação por Deus. Colocou um pescoço que não tem absolutamente nada a ver com o corpo. Não devia mais ter estoque de asas no paraíso, então colocou asas atrofiadas. Talvez até sabiamente para evitar que saíssem voando em bandos por aí, assustando as demais aves normais.
Outra coisa que faltou foram dedos para os pés. Colocou apenas dois dedos em cada pé. Sacanagem, Senhor!
Depois olhou para sua obra e não sabia se era uma ave ou um camelo. Tanto é que, logo depois, Adão, dando os nomes a tudo o que via pela frente, olhou para aquele ser meio abominável e disse: Struthio camelus australis. Que é o nome oficial da coisa. Acho que o struthio deve ser aquele pescoço fino em forma de salsicha.
Pois um animal daquele tamanho deveria botar ovos proporcionais ao seu corpo. Outro erro. É grande, mas nem tanto. E me explicava o criador que os avestruzes vivem até os 70 anos e se reproduzem plenamente até os 40, entrando depois na menopausa. Não têm, portanto, TPM. Uma fêmea de avestruz com TPM é perigosíssima!
Podem gerar de dez a 30 crias por ano, expliquei ao garoto, filho da minha amiga. Pois ele ficou mais animado ainda, imaginando aquele bando de avestruzes correndo pela sala do apartamento.
Ele insiste, quer que eu leve um avestruz para ele de avião, no domingo. Não sabia mais o que fazer.
Foi quando descobri que eles comem o que encontram pela frente, inclusive pedaços de ferro e madeiras. Joguinhos eletrônicos, por exemplo. Máquina digital de fotografia, times inteiros de futebol de botão e, principalmente, chuteiras. E, se descuidar, um mouse de vez em quando cai bem.
Parece que convenci o garoto. Me telefonou e disse que troca o avestruz por cinco gaivotas e um urubu.
Pedi para a minha amiga levar o garoto a um psicólogo. Afinal, tenho mais o que fazer do que ser gigolô de avestruz.
Culpado, fui até o local saber se eles vendiam filhotes de avestruz. E se entregavam em domicílio.
E fiquei a observar a ave. Se é que podemos chamar aquilo de ave. O avestruz foi um erro da natureza, minha amiga. Na hora de criar o avestruz, Deus devia estar muito cansado e cometeu alguns erros. Deve ter criado primeiro o corpo, que se assemelha, em tamanho, a um boi. Sabe quanto pesa um avestruz? Entre 100 e 160 quilos, fui logo avisando a minha amiga. E a altura pode chegar a quase 3 metros - 2,70 para ser mais exato.
Mas eu estava falando da sua criação por Deus. Colocou um pescoço que não tem absolutamente nada a ver com o corpo. Não devia mais ter estoque de asas no paraíso, então colocou asas atrofiadas. Talvez até sabiamente para evitar que saíssem voando em bandos por aí, assustando as demais aves normais.
Outra coisa que faltou foram dedos para os pés. Colocou apenas dois dedos em cada pé. Sacanagem, Senhor!
Depois olhou para sua obra e não sabia se era uma ave ou um camelo. Tanto é que, logo depois, Adão, dando os nomes a tudo o que via pela frente, olhou para aquele ser meio abominável e disse: Struthio camelus australis. Que é o nome oficial da coisa. Acho que o struthio deve ser aquele pescoço fino em forma de salsicha.
Pois um animal daquele tamanho deveria botar ovos proporcionais ao seu corpo. Outro erro. É grande, mas nem tanto. E me explicava o criador que os avestruzes vivem até os 70 anos e se reproduzem plenamente até os 40, entrando depois na menopausa. Não têm, portanto, TPM. Uma fêmea de avestruz com TPM é perigosíssima!
Podem gerar de dez a 30 crias por ano, expliquei ao garoto, filho da minha amiga. Pois ele ficou mais animado ainda, imaginando aquele bando de avestruzes correndo pela sala do apartamento.
Ele insiste, quer que eu leve um avestruz para ele de avião, no domingo. Não sabia mais o que fazer.
Foi quando descobri que eles comem o que encontram pela frente, inclusive pedaços de ferro e madeiras. Joguinhos eletrônicos, por exemplo. Máquina digital de fotografia, times inteiros de futebol de botão e, principalmente, chuteiras. E, se descuidar, um mouse de vez em quando cai bem.
Parece que convenci o garoto. Me telefonou e disse que troca o avestruz por cinco gaivotas e um urubu.
Pedi para a minha amiga levar o garoto a um psicólogo. Afinal, tenho mais o que fazer do que ser gigolô de avestruz.
Ilustração: Fido Nesti
Elementos da Narrativa
Os elementos que compõem a narrativa
são:
- Foco narrativo (1º e 3º pessoa);
- Personagens (protagonista, antagonista e coadjuvante);
- Narrador (narrador-personagem, narrador-observador).
- Tempo (cronológico e psicológico);
- Espaço.
- Foco narrativo (1º e 3º pessoa);
- Personagens (protagonista, antagonista e coadjuvante);
- Narrador (narrador-personagem, narrador-observador).
- Tempo (cronológico e psicológico);
- Espaço.
Dados sobre o animal
Disponivel em :
www.brasilescola.com>animais>vertebrados

Reino Animalia
Filo Chordata
Classe Aves
Ordem Struthioniformes
Família Struthionidae
Gênero Struthio
Espécie Struthio camelus
Os avestruzes são as maiores aves do planeta, medindo cerca de dois metros, podendo alcançar 150 quilos, quando adultos. Embora não tenham capacidade de voo, são bastante ágeis na locomoção, atingindo 60 quilômetros por hora. São encontrados naturalmente em savanas e estepes africanos e em algumas regiões da Arábia.
São animais
onívoros, com aparelho digestivo complexo, incluindo dois estômagos. Possuem
somente dois longos dedos em cada pé, com uma unha em cada um. O pescoço é
longo, a cabeça pequena e as asas, atrofiadas.
Até
aproximadamente um ano e meio de idade, fêmeas e machos são muito semelhantes.
Após este período, tais animais conquistam a maturidade sexual. Fêmeas passam a
apresentar cor acinzentada; e os machos são pretos com as pontas das asas
brancas.
A vida
reprodutiva desses animais dura em torno de trinta anos; dando origem a
aproximadamente 70 ovos/ano, por fêmea. Estes pesam aproximadamente um quilo e
meio, têm em torno de 20 cm de altura por 15 cm de largura; e são chocados
pelos machos, por no mínimo quarenta dias.
Tais animais se
adaptam bem a vários tipos de clima, são resistentes a doenças, possuem grande
expectativa de vida (60 anos), iniciam sua atividade reprodutiva precocemente,
são bastante dóceis e facilmente domesticáveis. Tais características, aliadas
ao fato de possuírem carne saborosa e magra, couro resistente e plumas muito
bonitas; permitiram com que se tornassem animais muito visados para a criação
comercial. Tal atividade, denominada estrutiocultura, iniciou-se em nosso país
no ano de 1995.
Existem cinco
subespécies de avestruz: Struthio camelus australis, Struthio
camelus camelus, Struthio camelus massaicus, Struthio camelus
molybdophane, e Struthio camelus syriacus, já extinta. O
cruzamento específico entre elas permitiu o surgimento das variedades
exploradas comercialmente:
- African black,
também chamada de pescoço preto: cruzamento entre S.c. syriacus, S.c.
camelus e S.c. australis;
- Blue neck,
também chamada de pescoço azul: cruzamento entre S.c. molybdophanes, S.c.
australis e S.c. syriacus;
- Red neck,
também chamada de pescoço vermelho: cruzamento entre S.c. camelus e S.c.
massaicus.
Quanto ao status
de conservação, a União Internacional para a Conservação da Natureza e dos
Recursos Naturais, IUCN, considera que tais animais se encontram em risco
mínimo de extinção (least concern, LC).
Por Mariana Araguaia
Graduada em Biologia
Equipe Brasil Escola
Graduada em Biologia
Equipe Brasil Escola
Dados do autor
Mario Prata
Mario Alberto Campos de Morais Prata é natural de Uberaba (MG), onde nasceu no dia 11 de fevereiro de 1946. Foi criado em Lins, interior de São Paulo. Com 10 anos de idade já escrevia "numa velha Remington no laboratório de meu pai (...) crônicas horríveis, geralmente pregando a liberdade e duvidando da existência de Deus". Nesse período de sua vida era o redator do jornalzinho de sua classe na escola. Sendo vizinho de frente do jornal A Gazeta de Lins, com 14 anos começou a escrever a coluna social com o pseudônimo de Franco Abbiazzi. Passou, com o tempo, a fazer de tudo no jornal, desde editoriais a reportagens esportivas e artigos de peso. O escritor Sérgio Antunes, seu amigo nessa época, disse que Mário era um molecote de "voz de taquara rachada e aparelho nos dentes ". Além de escrever Mário se dedicava ao tênis e, defendendo o Clube Atlético Linense, acabou sendo o campeão noroestino infantil na década de 60. Lia tudo o que lhe caia nas mãos, em especial as famosas revistas da época "O Cruzeiro" e "Manchete", que traziam em suas páginas os melhores cronistas da época como Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos, Henrique Pongetti, Rubem Braga, Millôr Fernandes e Stanislaw Ponte Preta, uma vez que em Lins, naquela época, "não chegavam os grandes clássicos", como disse o autor. Daí a forte influência que os citados cronistas tiveram em seu estilo.
www.releituras.com/marioprata
A
crônica é uma forma textual no estilo de narração que tem por base fatos que
acontecem em nosso cotidiano. Por este motivo, é uma leitura agradável, pois o
leitor interage com os acontecimentos e por muitas vezes se identifica com as
ações tomadas pelas personagens.
As crônicas estão presentes em jornais, revistas e livros. Além do mais, é uma leitura que nos envolve, uma vez que utiliza a primeira pessoa e aproxima o autor de quem lê. Como se estivessem em uma conversa informal, o cronista tende a dialogar sobre fatos até mesmo íntimos com o leitor.
O texto é curto e de linguagem simples, o que o torna ainda mais próximo de todo tipo de leitor e de praticamente todas as faixas etárias. A sátira, a ironia, o uso da linguagem coloquial demonstrada na fala das personagens, a exposição dos sentimentos e a reflexão sobre o que se passa estão presentes nas crônicas.
Como exposto acima, há vários motivos que levam os leitores a gostar das crônicas, mas e se você fosse escrever uma, o que seria necessário? Vejamos de forma esquematizada as características da crônica:
• Narração curta;
• Descreve fatos da vida cotidiana;
• Pode ter caráter humorístico, crítico, satírico e/ou irônico;
• Possui personagens comuns;
• Segue um tempo cronológico determinado;
• Uso da oralidade na escrita e do coloquialismo na fala das personagens;
• Linguagem simples.
Alguns cronistas (veteranos e mais recentes) são: Fernando Sabino, Rubem Braga, Luis Fernando Veríssimo, Carlos Heitor Cony, Carlos Drummond de Andrade, Fernando Ernesto Baggio, Lygia Fagundes Telles, Machado de Assis, Max Gehringer, Moacyr Scliar, Pedro Bial, Arnaldo Jabor, dentre outros.
As crônicas estão presentes em jornais, revistas e livros. Além do mais, é uma leitura que nos envolve, uma vez que utiliza a primeira pessoa e aproxima o autor de quem lê. Como se estivessem em uma conversa informal, o cronista tende a dialogar sobre fatos até mesmo íntimos com o leitor.
O texto é curto e de linguagem simples, o que o torna ainda mais próximo de todo tipo de leitor e de praticamente todas as faixas etárias. A sátira, a ironia, o uso da linguagem coloquial demonstrada na fala das personagens, a exposição dos sentimentos e a reflexão sobre o que se passa estão presentes nas crônicas.
Como exposto acima, há vários motivos que levam os leitores a gostar das crônicas, mas e se você fosse escrever uma, o que seria necessário? Vejamos de forma esquematizada as características da crônica:
• Narração curta;
• Descreve fatos da vida cotidiana;
• Pode ter caráter humorístico, crítico, satírico e/ou irônico;
• Possui personagens comuns;
• Segue um tempo cronológico determinado;
• Uso da oralidade na escrita e do coloquialismo na fala das personagens;
• Linguagem simples.
Alguns cronistas (veteranos e mais recentes) são: Fernando Sabino, Rubem Braga, Luis Fernando Veríssimo, Carlos Heitor Cony, Carlos Drummond de Andrade, Fernando Ernesto Baggio, Lygia Fagundes Telles, Machado de Assis, Max Gehringer, Moacyr Scliar, Pedro Bial, Arnaldo Jabor, dentre outros.
É difícil acreditar, mas meu
primeiro beijo foi num ônibus, na volta da escola. E sabem com quem? Com o
Cultura Inútil! Pode? Até que foi legal. Nem eu nem ele sabíamos exatamente o
que era "o beijo". Só de filme. Estávamos virgens nesse assunto, e
morrendo de medo. Mas aprendemos. E foi assim...
Não sei se numa aula de
Biologia ou de Química, o Culta tinha me mandado um dos seus milhares de
bilhetinhos:
"Você é a glicose do meu
metabolismo.
Te amo muito!
Paracelso"
E assinou com uma letrinha
miúda: Paracelso. Paracelso era outro apelido dele. Assinou com letrinha tão
minúscula que quase tive dó, tive pena, instinto maternal, coisas de mulher...
E também não sei por que: resolvi dar uma chance pra ele, mesmo sem saber que
tipo de lance ia rolar.
No dia seguinte, depois do
inglês, pediu pra me acompanhar até em casa. No ônibus, veio com o seguinte
papo:
- Um beijo pode deixar a gente
exausto, sabia? - Fiz cara de desentendida.
Mas ele continuou:
- Dependendo do beijo, a gente
põe em ação 29 músculos, consome cerca de 12 calorias e acelera o coração de 70
para 150 batidas por minuto. - Aí ele tomou coragem e pegou na minha mão. Mas
continuou salivando seus perdigotos:
- A gente também gasta, na
saliva, nada menos que 9 mg de água; 0,7 mg de albumina; 0,18 g de substâncias
orgânica; 0,711 mg de matérias graxas; 0,45 mg de sais e pelo menos 250
bactérias...
Aí o bactéria falante aproximou
o rosto do meu e, tremendo, tirou seus óculos, tirou os meus, e ficamos nos
olhando, de pertinho. O bastante para que eu descobrisse que, sem os óculos,
seus olhos eram bonitos e expressivos, azuis e brilhantes. E achei gostoso
aquele calorzinho que envolvia o corpo da gente. Ele beijou a pontinha do meu
nariz, fechei os olhos e senti sua respiração ofegante. Seus lábios tocaram os
meus. Primeiro de leve, depois com mais força, e então nos abraçamos de bocas
coladas, por alguns segundos.
E de repente o ônibus já havia
chegado no ponto final e já tínhamos transposto , juntos, o abismo do primeiro
beijo.
Desci,
cheguei em casa, nos beijamos de novo no portão do prédio, e aí ficamos
apaixonados por várias semanas. Até que o mundo rolou, as luas vieram e
voltaram, o tempo se esqueceu do tempo, as contas de telefone aumentaram,
depois diminuíram...e foi ficando nisso. Normal. Que nem meu primeiro beijo.
Mas foi inesquecível!
BARRETO, Antonio. Meu primeiro beijo.
Balada do primeiro amor. São Paulo: FTD, 1977. p. 134-6.
·
Ativação de conhecimento de mundo:
Roda de conversa- Abordar questões como:
- O que você pensa sobre o beijo?
- Você acha que beijo é sempre igual ou
existem diferentes tipos de beijos?
-Quando você acha que deve acontecer o
primeiro beijo?
- Produzir um parágrafo sobre o seu
1º beijo ou como você gostaria que fosse.
Beija Eu
Seja eu!
Seja eu!
Deixa que eu seja eu
E aceita
O que seja seu
Então deita e aceita eu...
Seja eu!
Deixa que eu seja eu
E aceita
O que seja seu
Então deita e aceita eu...
Molha eu!
Seca eu!
Deixa que eu seja o céu
E receba
O que seja seu
Anoiteça e amanheça eu...
Seca eu!
Deixa que eu seja o céu
E receba
O que seja seu
Anoiteça e amanheça eu...
Beija eu!
Beija eu!
Beija eu, me beija
Deixa
O que seja ser...
Beija eu!
Beija eu, me beija
Deixa
O que seja ser...
Então beba e receba
Meu corpo no seu
Corpo eu, no meu corpo
Deixa!
Eu me deixo
Anoiteça e amanheça...
Meu corpo no seu
Corpo eu, no meu corpo
Deixa!
Eu me deixo
Anoiteça e amanheça...
Seja eu!
Seja eu!
Deixa que eu seja eu
E aceita
O que seja seu
Então deita e aceita eu...
Seja eu!
Deixa que eu seja eu
E aceita
O que seja seu
Então deita e aceita eu...
Molha eu!
Seca eu!
Deixa que eu seja o céu
E receba
O que seja seu
Anoiteça e amanheça eu...
Seca eu!
Deixa que eu seja o céu
E receba
O que seja seu
Anoiteça e amanheça eu...
Aaaaah! ah ah ah ah! ah!
Ah! ah ah ah!
Ah! ah ah ah!
Ah ah ah!...
Ah! ah ah ah!
Ah! ah ah ah!
Ah ah ah!...
Beija eu!
Beija eu!
Beija eu, me beija
Deixa
O que seja ser...
Beija eu!
Beija eu, me beija
Deixa
O que seja ser...
Então beba e receba
Meu corpo no seu
Corpo eu, no meu corpo
Deixa!
Eu me deixo
Anoiteça e amanheça...
Meu corpo no seu
Corpo eu, no meu corpo
Deixa!
Eu me deixo
Anoiteça e amanheça...
Aaaah! Aaaaah!
Oh oh oh oh oh oh!
Oh oh oh oh oh oh!
Aaaah! Aaaaah
Oh oh oh oh oh oh!
Oh oh oh oh oh oh!
Aaaah! Aaaaah
Oh oh oh oh oh oh!...
Oh oh oh oh oh oh!
Oh oh oh oh oh oh!
Aaaah! Aaaaah
Oh oh oh oh oh oh!
Oh oh oh oh oh oh!
Aaaah! Aaaaah
Oh oh oh oh oh oh!...
·
Leitura compartilhada do texto “Meu
primeiro beijo”
·
Levantamento de hipóteses:
- Você já leu algo sobre o autor do
texto?
- Será que ele fala sobre a própria
experiência?
-
A narração é feita em 1ª ou 3ª pessoa? Por quê?
·
Leitura do texto (pelo professor);
·
Na sala de Informática:
- Levantamento do vocabulário
desconhecido;
-Pesquisa sobre a “doença do
beijo”;
·
Localização, Comparação de informações,
generalizações:
- Na sua opinião, por que Para
Celso também tem o apelido de Cultura Inútil?
- Por que Celso conhecia tanto a
respeito do beijo, se nunca havia beijado?
- Você conhece outra história que
aborda o mesmo tema? Qual?
·
Estratégia de ensino:
- Quais passagens da história mais
lhe agradaram? Por quê?
- No texto lido, há alguma parte
que dificultou seu entendimento?
- Apesar das restrições que a
menina possuía em relação ao menino, por que ela resolveu dar-lhe uma chance?
·
Recuperação de contexto de produção,
definição de finalidade e metas da atividade de leitura:
- Quem é o autor do texto?
- Em que veículo foi publicado?
- Qual o público-alvo que se
interessa por esse tipo de texto?
- Qual o tema dessa história? Ele o
descreve de forma positiva ou negativa?
·
Percepções de intertextualidade e de
interdiscursividade:
Mostrar
aos alunos o diálogo que existe entre os textos e que quanto maior nosso
repertório mais facilidade teremos para perceber essa interdiscursividade.
-exibição
do filme “Cinema Paradiso”
-exibição
do episódio de “Os Simpsons”, que faz referência a vários filmes com cenas de
beijo.
- exibição do filme “Meu primeiro amor”
Atividades
propostas para o 9º ano:
Tempo
previsto: 8 aulas
Objetivo: Explorar,
desenvolver e ampliar
capacidades de leitura. Levar o aluno a reconhecer a tipologia narrativa e o gênero crônica.
capacidades de leitura. Levar o aluno a reconhecer a tipologia narrativa e o gênero crônica.
“Pausa” (Moacyr Scliar)
Às sete horas o despertador tocou.
Samuel saltou da cama, correu para o banheiro. Fez a barba e lavou-se.
Vestiu-se rapidamente e sem ruído. Estava na cozinha, preparando sanduíches,
quando a mulher apareceu, bocejando:
—Vais
sair de novo, Samuel?
Fez que sim com a
cabeça. Embora jovem, tinha a fronte calva; mas as sobrancelhas eram espessas,
a barba, embora recém-feita, deixava ainda no rosto uma sombra azulada. O
conjunto era uma máscara escura.
—Todos
os domingos tu sais cedo – observou a mulher com azedume na voz.
—Temos
muito trabalho no escritório – disse o marido, secamente.
Ela olhou os
sanduíches:
—Por
que não vens almoçar?
—Já
te disse: muito trabalho. Não há tempo. Levo um lanche.
A mulher coçava a
axila esquerda. Antes que voltasse a carga, Samuel pegou o chapéu:
—Volto
de noite.
As ruas ainda estavam
úmidas de cerração. Samuel tirou o carro da garagem. Guiava vagarosamente, ao
longo do cais, olhando os guindastes, as barcaças atracadas.
Estacionou o carro
numa travessa quieta. Com o pacote de sanduíches debaixo do braço, caminhou
apressadamente duas quadras. Deteve-se ao chegar a um hotel pequeno e sujo.
Olhou para os lados e entrou furtivamente. Bateu com as chaves do carro no
balcão, acordando um homenzinho que dormia sentado numa poltrona rasgada. Era o
gerente. Esfregando os olhos, pôs-se de pé:
—Ah!
Seu Isidoro! Chegou mais cedo hoje. Friozinho bom este, não é? A gente...
—Estou
com pressa, seu Raul – atalhou Samuel.
—
Está bem, não vou atrapalhar. O de sempre - Estendeu a chave.
Samuel subiu quatro
lanços de uma escada vacilante. Ao chegar ao último andar, duas mulheres
gordas, de chambre floreado, olharam-no com curiosidade:
—Aqui,
meu bem! – uma gritou, e riu: um cacarejo curto.
Ofegante, Samuel
entrou no quarto e fechou a porta a chave. Era um aposento pequeno: uma cama de
casal, um guarda-roupa de pinho: a um canto, uma bacia cheia d’água, sobre um
tripé. Samuel correu as cortinas esfarrapadas, tirou do bolso um despertador de
viagem, deu corda e colocou-o na mesinha de cabeceira.
Puxou a colcha e
examinou os lençóis com o cenho franzido; com um suspiro, tirou o casaco e os
sapatos, afrouxou a gravata. Sentado na cama, comeu vorazmente quatro
sanduíches. Limpou os dedos no papel de embrulho, deitou-se fechou os olhos.
Dormir.
Em pouco, dormia. Lá
embaixo, a cidade começava a move-se: os automóveis buzinando, os jornaleiros
gritando, os sons longínquos.
Um raio de sol
filtrou-se pela cortina, estampou um círculo luminoso no chão carcomido.
Samuel dormia;
sonhava. Nu, corria por uma planície imensa, perseguido por um índio montado o
cavalo. No quarto abafado ressoava o galope. No planalto da testa, nas colinas
do ventre, no vale entre as pernas, corriam. Samuel mexia-se e resmungava. Às
duas e meia da tarde sentiu uma dor lancinante nas costas. Sentou-se na cama,
os olhos esbugalhados: o índio acabava de trespassá-lo com a lança. Esvaindo-se
em sangue, molhando de suor, Samuel tombou lentamente; ouviu o apito soturno de
um vapor. Depois, silêncio.
Às sete horas o
despertador tocou. Samuel saltou da cama, correu para a bacia, levou-se.
Vestiu-se rapidamente e saiu.
Sentado numa
poltrona, o gerente lia uma revista.
—
Já vai, seu Isidoro?
—Já
– disse Samuel, entregando a chave. Pagou, conferiu o troco em silêncio.
—Até
domingo que vem, seu Isidoro – disse o gerente.
—Não
sei se virei – respondeu Samuel, olhando pela porta; a noite caia.
—O
senhor diz isto, mas volta sempre – observou o homem, rindo.
Samuel saiu.
Ao longo dos cais,
guiava lentamente. Parou um instante, ficou olhando os guindastes recortados
contra o céu avermelhado. Depois, seguiu. Para casa.
(in: Alfredo Bosi, org. O conto brasileiro contemporâneo. São
Paulo: Cultrix, 1977. p. 275)
Sensibilização: Apresentar aos alunos
algumas imagens que remetam à ideia de parada, pausa, descanso.
·
Leitura feita pelo professor instigando o
aluno a levantar hipóteses.
·
Estabelecer comparações de objetos e
situações que fazem parte do cotidiano. Exemplos: relógio de viagem, celular,
jornaleiro gritando, e outros.
· Fazer com que o aluno localize
informações explícitas e implícitas no texto, leva-los a perceber as variações
diacrônicas (“dar corda”) e regionais (tu) da linguagem;
“Que
trabalho é esse que necessita ser feito aos domingos?”
“Ele é funcionário público ou patrão?”
-
“Por que ele estaciona o carro duas quadras distante?”
-
“Por que ele é chamado de Isidoro?”
-
“Que mulheres são essas que o convidam a entrar no quarto?”;
Identificar
o tempo cronológico, retirando do texto as comprovações: “as ruas úmidas”, “às
duas e meia da tarde”, “às sete horas”;
·
Recuperação de contexto de produção
Pesquisar
a biografia do autor, socializando as informações com a turma;
·
Apresentação das características do
gênero “Crônica”;
Discutir
com os alunos sobre o que entendem por “Pausa” (o título) e os valores morais
(verdade/mentira);
·
Identificar a ideia central. Explorar o
vocabulário;
·
Discutir quais são suas estratégias de
pausa? Se eles conhecem a importância do lazer (assegurado pela própria
Constituição Brasileira)?
·
Realizar estudo linguístico sobre
Concordância Verbal e discutir sobre as características da fala na região
(Regionalismo).
· Intertextualidade: Cada grupo deverá pesquisar textos, músicas vídeos que tenham uma
interdiscursividade, que dialoguem com o texto estudado. Apresentar algumas sugestões
de vídeos e outros recursos: “O negro Bonifácio” (João Simões Lopes Neto) e HQ de Chico Bento;
·
Apresentar a música de Chico Buarque –
letra e melodia.
Todo dia ela faz tudo
sempre igual:
Me sacode às seis horas da manhã,
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã.
Me sacode às seis horas da manhã,
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã.
Todo dia ela diz que é
pr'eu me cuidar
E essas coisas que diz toda mulher.
Diz que está me esperando pr'ojantar
E me beija com a boca de café
E essas coisas que diz toda mulher.
Diz que está me esperando pr'ojantar
E me beija com a boca de café
Todo dia eu só penso em
poder parar;
Meio-dia eu só penso em dizer não,
Depois penso na vida pra levar
E me calo com a boca de feijão.
Meio-dia eu só penso em dizer não,
Depois penso na vida pra levar
E me calo com a boca de feijão.
Seis da tarde, como era
de se esperar,
Ela pega e me espera no portão
Diz que está muito louca pra beijar
E me beija com a boca de paixão.
Ela pega e me espera no portão
Diz que está muito louca pra beijar
E me beija com a boca de paixão.
Toda noite ela diz pr'eu
não me afastar;
Meia-noite ela jura eterno amor
E me aperta pr'euquase sufocar
E me morde com a boca de pavor.
Meia-noite ela jura eterno amor
E me aperta pr'euquase sufocar
E me morde com a boca de pavor.
Todo dia ela faz tudo
sempre igual:
Me sacode às seis horas da manhã,
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã.
Me sacode às seis horas da manhã,
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã.
Todo dia ela diz que é
pr'eume cuidar
E essas coisas que diz toda mulher.
Diz que está me esperando pr'ojantar
E me beija com a boca de café.
E essas coisas que diz toda mulher.
Diz que está me esperando pr'ojantar
E me beija com a boca de café.
Todo dia eu só penso em
poder parar;
Meio-dia eu só penso em dizer não,
Depois penso na vida pra levar
E me calo com a boca de feijão.
Meio-dia eu só penso em dizer não,
Depois penso na vida pra levar
E me calo com a boca de feijão.
Seis da tarde, como era
de se esperar,
Ela pega e me espera no portão
Diz que está muito louca pra beijar
E me beija com a boca de paixão.
Ela pega e me espera no portão
Diz que está muito louca pra beijar
E me beija com a boca de paixão.
Toda noite ela diz
pr'eunão me afastar;
Meia-noite ela jura eterno amor
E me aperta pr'euquase sufocar
E me morde com a boca de pavor.
Meia-noite ela jura eterno amor
E me aperta pr'euquase sufocar
E me morde com a boca de pavor.
Todo dia ela faz tudo
sempre igual:
Me sacode às seis horas da manhã,
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã.
Me sacode às seis horas da manhã,
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã.
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Recursos estéticos: Percepção de outras
linguagens:
- Uso de metáforas. Exemplo:“no
planalto da testa...” , “nas colinas do ventre...”
Bibliografia
DOLZ, Joaquim; SCHNEUWLY, Bernard. Gêneros e progressão em expressão oral e escrita – elementos para reflexão sobre uma experiência suíça (francófona). In: Gêneros orais e escritos na escola. Campinas: Mercado das Letras, 2010.
ROJO, R. H. R. (2002) A concepção de leitor e produtor de textos nos PCNs: “Ler é melhor do que estudar”. In M. T. A. Freitas& S. R. Costa (orgs) Leitura e Escrita na Formação de Professores, PP.31-52. SP: Musa/ UFJF/INEP-COMPED.
Caderno do professor. Língua Portuguesa: ensino fundamental. 5ª. série. 1º. Bimestre/Eliane Aparecida Aguiar – São Paulo: SEE, 2008.








